quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Eu Ainda Pensava em Nós

Enquanto a chuva caía e as faixas da estrada passavam como um relâmpago na escuridão, eu pensava em como tudo poderia ser diferente. Como seria se você estivesse ali, do meu lado? Ou, então, como seria se eu tivesse me mudado pra sua cidade, morado na sua casa, dormido na nossa cama?

Eu estava a caminho daquela velha cidade, que você visitou e não gostou. Minha cabeça, apoiada no vidro da janela, concentrava suas forças em não desequilibrar daquela posição desconfortável mas que, de algum modo, não incomodava. Lá no fundo, eu só pensava em você, em nós, o que poderia ser de nós hoje, o que poderíamos ter construído – família, trabalho, estudos, filhos, carreira. Eu ainda pensava em nós, mesmo depois de tudo. Por incrível que pareça, era fácil fazer isso.

A cada cidade, a cada parada, eu me perdia mais um pouco nos pensamentos e probabilidades. Era como se testes ocorressem, para no fim determinar com certeza o futuro que eu perdi contigo – ou o que você perdeu em não me ter mais por perto. Acredito que isso nunca aconteceu com você, não faz seu tipo pensar nas possibilidades que passaram (ou talvez eu esteja muito errado...ou, lá no fundo, eu queira estar errado sobre isso), não faz seu tipo chorar em público por ter se arrependido de deixar pra trás um amor.

Faltavam mais quinze quilômetros apenas. Multipliquei isso pelo que eu achava ser o necessário percorrer até te ver, calculei minutos, segundos, converti em horas...Quando me dei conta, eram três da manhã e, sentado na cama, olhei em volta ainda confuso.

A estrada havia ficado pra trás, alguns sonhos e vontades a acompanharam. Ficou aqui, a me fazer companhia, apenas um vazio e o pensamento: o que poderia ser de nós?


Uma pergunta que, possível e quase certamente, ninguém há de saber. 

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